segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ladrões descobrem produto para limpar nota manchada, diz polícia

Cinco pessoas foram presas em operação realizada nas zonas leste, sul e oeste da capital

Fonte: Portal R7: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/policia-descobre-novo-sistema-usado-por-bandidos-para-tirar-manchas-de-notas-de-caixas-explosivos-20110606.html?question=0

Mônica Ribeiro e Ribeiro, do R7
Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Notas manchadas estão sendo lavadas com substância, diz polícia.

As cédulas rosadas eram uma forma de identificar dinheiro roubado

Os criminosos envolvidos em ataques a caixa eletrônicos estão usando uma substância para remover as manchas de notas de terminais explodidos. A informação foi dada pelo diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), Nelson Silveira Guimarães, nesta segunda-feira (6).

Polícia prende suspeito de furtos a caixas eletrônicos

Bandidos explodem caixas eletrônicos em Cajamar

Associação defende a retirada de caixas

A nova técnica foi encontrada em uma casa da favela do Jardim Robru, na zona leste de São Paulo, onde dois homens foram presos. Pela manhã, cinco homens foram detidos na capital paulista, no total, durante a operação Caixa Preta.

As manchas rosadas eram uma forma encontrada pelos bancos de identificar cédulas roubadas. De acordo com Guimarães, o produto foi encaminhado para a perícia.

- A substância foi localizada dentro de um filtro de água, na cozinha dessa casa. Ainda não sabemos do que se trata.

Com a dupla – um servente de 31 anos e um pintor de 30 – também foram encontradas munições e uma espingarda calibre 12.
Além dos dois presos na zona leste, dois homens foram detidos na zona norte e um na zona oeste de São Paulo.

Entre os presos está um foragido da Justiça desde agosto de 2009, que cumpria pena em regime semi-aberto no presídio de Pirajuí. Segundo Guimarães, os demais suspeitos também têm passagem pela polícia.

Cajamar

O diretor do Deic afirmou que o homem detido na favela São Remo, na zona oeste, é suspeito de ter participado do ataque a uma agência bancária em Cajamar, na Grande SP, em que três caixas foram explodidos.

- Verificamos que alguns carros estão com essa pessoa. Um deles é um Vectra blindado e roubado que, provavelmente, foi usado no ataque de Cajamar.

Com o suspeito, também foram encontrados um Ecosport, também roubado, e um Fiesta com o chassi adulterado. Na operação, a polícia também apreendeu duas pistolas, relógios, joias, 2 kg de maconha e 1 kg de cocaína.

De acordo com o delegado, 31 pessoas já foram presas por envolvimento neste tipo de crimes. Entre os suspeitos há policiais militares, mas Guimarães não informou quantos eles são. Pelo menos cem pessoas estão sendo investigadas.

Notas Manchadas

- Como devo agir ao sacar do caixa eletrônico uma nota manchada pelo mecanismo da máquina?
O Banco Central explica que o cidadao deve registrar um B.O. (Boletim de Ocorrencia) em uma delegacia, tirar um extrato da conta bancária e levar a documentaçao a agencia bancária.

- O banco irá ressarcir o valor da nota manchada?
Caso seja comprovado que a mancha foi acidental, a pessoa prejudicada poderá ser ressarcida do valor da nota.

- Manchei uma nota acidentalmente. O que devo fazer?
Se ficar provado que o dano nao foi causado por esses dispositivos, o banco deverá trocar a nota.

- Como devo agir ao receber uma nota manchada?
O Banco Central recomenda a populaçao que nao receba notas suspeitas de terem sido manchadas por dispositivo antifurto. Se a mancha tiver sido produto de uma açao criminosa, a nota nao será ressarcida.

- O que devo fazer se já tenho notas manchadas em casa?
O banco orienta a populaçao que possuir algumas dessas cédulas a encaminhá-las a uma agencia bancária, que se encarregará de remete-las ao Banco Central, onde serao mantidas sob custódia, para análise. Se for comprovado que o dano foi provocado por algum dispositivo antifurto, a instituiçao financeira deverá comunicar ao portador que a cédula foi fruto de açao criminosa e se encontra a disposiçao das autoridades competentes para investigaçao criminal.

18/05/2011

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Currículo mau elaborado causa desinteresse no recrutador.

Lugares-comuns no currículo causam desinteresse no recrutador

Candidatos devem evitar colocar expressões muito repetidas, como "perfeccionista", "responsável", "motivado" e "comunicativo"

A carta de apresentação e o currículo devem comunicar ao recrutador os objetivos profissionais e demonstrar por que o candidato está apto a desempenhar a função pretendida. Por isso, é fundamental que ambos sejam elaborados de forma clara e objetiva. No entanto, é comum os candidatos usarem jargões, lugares-comuns e frases prontas para mostrar suas competências pessoais. Veja alguns exemplos reais coletados pelo iG Carreiras em currículos e cartas de apresentação de diferentes candidatos:

Foto: Danilo Chamas / Fotomontagem iG

Currículo deve apresentar experiências profissionais com objetividade e clareza

“Dentre minhas características destacam-se o perfeccionismo, dedicação e responsabilidade."

“Tenho facilidade na comunicação interpessoal, trabalhar em equipe, excelência no atendimento, fácil adaptação no ambiente profissional e capacidade de aprender novos desafios."

“Sou responsável, objetivo, flexível, organizado, motivado, dedicado, sempre estou em busca de aprendizado profissional ou conhecimentos que me faça crescer como ser humano.”

“Dentre minhas características profissionais destacam-se a dedicação, facilidade de interação com o grupo e aprendizado, responsabilidade e companheirismo."

Frases como essas não mostram o perfil do profissional e não o diferenciam dos demais. "Essas competências só serão analisadas na entrevista. Falar que é perfeccionista, responsável e dinâmico são informações muito vagas", afirma Letícia D´Incao, consultora da empresa e recrutamento e seleção Companhia de Talentos.

Segundo Letícia, o candidato deve descrever suas atividades, mas evitar expressões genéricas como "tenho ampla experiência". Frases como "sou uma pessoa focada em resultado" também não dizem nada ao recrutador. É preciso exemplificar as situações que mostram isso na prática.

Além desses exageros autopromocionais, também é comum os candidatos colocarem seus hobbies, pensamentos e frases bíblicas para impressionar o recrutador. "Esse não é o objetivo do currículo. O próprio entrevistador irá concluir se o profissional é ou não comunicativo, responsável, motivado, perfeccionista e simpático", afirma Andreza Santana, gerente de marketing sênior da empresa de recrutamento Monster Brasil.

Segundo Letícia, o ideal é o profissional mostrar na carta de apresentação qual o objetivo dele, aonde ele quer chegar e o que ele busca para sua carreira.

No currículo, o fundamental é relacionar as suas experiências com os requisitos da vaga que está concorrendo. Letícia ressalta que o currículo é a forma que o profissional tem de despertar o interesse do recrutador para que seja chamado para uma entrevista. Lugares-comuns sobre as qualidades e competências pessoais, apesar de muito utilizados, não são aconselháveis. O profissional deve demonstrar suas habilidades e características no momento da entrevista.

Dicas para fugir do lugar-comum

Confira algumas dicas das especialistas em recrutamento consultadas pelo iG Carreiras sobre como substituir expressões gastas por trechos mais informativos e úteis:

• Enumere pontos importantes sobre sua carreira: "São situações que irão mostrar suas habilidades e competências", destaca Andreza. Causa uma boa impressão, por exemplo, colocar que tem uma carreira ascendente na área, porque é algo que o recrutador pode comprovar quando analisa as experiências. "Se, nessa primeira parte, o profissional colocar só coisas subjetivas, ele estará desperdiçando os primeiros cinco segundos em que poderia impactar o recrutador." Mas é bom não exagerar na quantidade: no máximo dez tópicos.

• Liste experiências em implementação e participação de projetos que exigiram interface com outras áreas da empresa: Andreza afirma que, com isso, o entrevistador percebe que o profissional possui facilidade de trabalhar em equipe, sem que ele tenha necessariamente de escrever essa frase no currículo.

• Informe o conhecimento de ferramentas modernas e de alta tecnologia: nesse ponto, já fica subentendido, segundo Andreza, que é um profissional "antenado".

• Indique resultados concretos, como "melhorei em 50% a performance do projeto": desse modo, o profissional demonstra que tem foco em resultados. "Todos os itens do currículo, quando cabível, devem ter esse tipo de informação. Causa uma boa impressão", afirma Andreza.

• Mostre suas ações: segundo Andreza, o profissional deve descrever os principais projetos que participou. Por exemplo, contando uma meta que precisava atingir, as ações que tomou e como superou aquele resultado. Assim, o recrutador irá perceber que ele é uma pessoa que tem capacidade de passar por momentos de estresse e atingir metas.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Baralho com rosto de procurados

Jaques Wagner copia Bush e lança baralho com rosto de procurados

Um dos criminosos, que representava “Ás de Ouros”, foi detido nesta semana

Thiago Guimarães iG Bahia | 02/06/2011 20:35

O governo da Bahia lançou nesta quinta-feira (2) um baralho e um jogo da memória na internet com imagens dos criminosos mais procurados no Estado.

O anúncio foi feito durante divulgação de resultados de operação que terminou com a prisão de Fagner Souza da Silva, o “Fal”, um dos criminosos mais procurados no Estado. Detido em São Paulo, ele representava o “Ás de Ouros” do baralho.

Foto: Divulgação/Governo da Bahia

Baralho do governo da Bahia com os rostos das pessoas procuradas pelo Estado

A tática baiana repete ação da gestão George W. Bush (2001-2009) no governo dos EUA. Durante a invasão do Iraque, em 2003, ele distribuiu um baralho com os integrantes mais procurados do regime de Saddam Hussein. O ex-ditador e seus filhos representavam os ases do conjunto de cartas.

Com a prisão de Fal, assume o posto de “Ás de Ouros” o traficante conhecido como Elias, com atuação na região do Nordeste de Amaralina, uma das áreas mais perigosas de Salvador.

“É uma técnica utilizada pelo exército americano em regiões de guerra, como Iraque e Afeganistão, para identificação dos criminosos”, disse o secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa. O baralho, em forma de jogo da memória, pode ser acessado no site da secretaria.

A operação que prendeu o traficante Fal deteve ainda outras 11 pessoas, seis delas em São Paulo – a secretaria da Segurança paulista também participou da ação. A operação recebeu o nome de “Gênesis”, referência à origem do tráfico. Os presos seriam integrantes das facções criminosas aliadas PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, e Comando da Paz, da Bahia.

O grupo é apontado como responsável pelo envio à Bahia de 200 quilos de pasta base de cocaína por mês. De acordo com o governo baiano, Fal chegou a oferecer R$ 500 mil a policiais para não ser preso.

Cerca de 140 policiais civis e militares participaram da operação, que visa cumprir 16 mandados de prisão e outros 16 de busca e apreensão, em Salvador e em São Paulo. A ação visa ainda contribuir para o combate ao tráfico na região do Nordeste de Amaralina, que irá receber a segunda base comunitária de segurança, a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) baiana, da gestão Jaques Wagner (PT).

Bilionário também é assalariado

Rubens Ometto ganha R$ 13 milhões por ano como presidente da Raízen; veja outros executivos que recebem salários milionários

Rubens Ometto foi confirmado nesta quinta-feira como presidente do conselho de administração da Raízen, o grupo sucroalcooleiro nascido da união entre Cosan e Shell. Ometto, um dos homens mais ricos do Brasil, engordará a conta bancária com salário anual de R$ 13 milhões, segundo comunicado distribuído ontem pela empresa – e ainda haverá um bônus variável nos próximos cinco anos.

- Eike Batista, o mais rico do Brasil

Dinheiro e tanto para quem já tem a carteira bem fornida. Mas não é o maior salário de um executivo ou de um presidente de conselho. Em 2010, na petroleira OGX, a maior remuneração de um executivo foi de R$ 19,7 milhões. Na mesma empresa, o presidente do conselho de administração embolsou estratosféricos R$ 50,1 milhões. Ambos os cargos são ocupados atualmente pelo fundador, Eike Batista, que tem o epíteto “oitavo homem mais rico do mundo” quase como um sobrenome adicional. Ometto e Batista são bilionários, mas também assalariados.

Não é possível afirmar com precisão os maiores salários do universo corporativo brasileiro porque ainda há impedimento legal para isso. Por força de liminar, as empresas de capital aberto não têm, ao menos por ora, a obrigação de apresentar a remuneração máxima de seus executivos e conselheiros. O dado entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) limita-se ao valor total pago a cada grupo de profissionais de comando.

Mas existem exceções. Na MPX, de geração de energia, outra das empresas ligadas ao conglomerado de Eike Batista, a maior remuneração paga em 2010 ao time de executivos, formado por cinco pessoas, foi de R$ 10,1 milhões. Eduardo Karrer, com passagens pelo comando da El Paso Energy e da Rio Polímeros, é o diretor-presidente da companhia.

Foto: Agência Estado

Eike Batista: bilionário com remuneração também como funcionário da empresa

No setor financeiro estão algumas das remunerações mais parrudas. O maior valor pago no conselho de administração do Bradesco é de R$ 11,5 milhões – e no corpo executivo, de R$ 9,3 milhões. O conselho também paga mais que o comando executivo no banco Cruzeiro do Sul, como registrou nesta semana o jornal Valor: a maior remuneração em cada um em 2010 foi de R$ 5,2 milhões e R$ 3,1 milhões, respectivamente. No Itaú, por sua vez, a remuneração média do corpo executivo, comandado por Roberto Setúbal, foi de R$ 8,15 milhões.

O iG comparou a remuneração de Ometto com a paga em alguns dos 20 maiores grupos empresariais nacionais, que cresceram a uma velocidade 2,5 maior que a do PIB nos últimos dez anos. Veja quanto pagaram alguns desses conglomerados em 2010:

Remuneração média da diretoria executiva

Ambev* - R$ 12,0 milhões
Vale - R$ 11,34 milhões
Gerdau – R$ 3,49 milhões
Brasil Foods* - R$ 3,17 milhões
Ultrapar – R$ 3,45 milhões
Usiminas – R$ 3,3 milhões
CSN – R$ 3,28 milhões
TAM - R$ 3,08 milhões
CPFL – R$ 1,95 milhão
Neoenergia – R$ 1,82 milhão
Marfrig – R$ 1,67 milhão

*As remunerações de Ambev e Brasil Foods são as maiores pagos, e não os valores médios

Leia também:

- Conheça a Eikelândia, a obra mais arrojada de Eike Batista

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Paralisação da CPTM prejudica cerca de 400 mil passageiros

Trabalhadores do setor publico paralizam e quem paga são os do setor privado.

Grevistas não mantêm 90% dos trabalhadores para assegurar operação no horário de pico. Terminal de ônibus no ABC segue paralisado

01/06/2011 08:49 - Atualizada às 11:22

A greve parcial dos ferroviários na capital e na Grande São Paulo e a paralisação do transporte rodoviário do Grande ABC dificultam nesta manhã de quarta-feira o funcionamento do transporte público. Cerca de 400 mil passageiros da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão sendo prejudicados, de acordo com a própria CPTM.

Foto: AE

Estação Ferraz de Vasconcelos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que amanheceu fechada nesta quarta-feira

A linha 12 - Safira, da CPTM, que liga a estação Brás, no centro da capital, até Calmon Viana, em Poá, na Grande São Paulo, está totalmente parada desde as 4h. No Brás, as plataformas estão cheias de passageiros e, a cada dois minutos, um alerta sonoro da CPTM informa os passageiros sobre a paralisação.

A linha 11 - Coral, está inoperante entre a estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e a estação Guaianazes, na zona leste da capital. Neste trecho, foram acionados ônibus por meio do Plano de Apoio entre as Empresas em Situação de Emergência (Paese).

Os passageiros enfrentam atrasos nas viagens porque o intervalo entre a chegada dos trens tem durado quase o dobro do tempo de dias normais – de 15 a 25 minutos. Por meio de nota, a CPTM informou que para minimizar os transtornos aos passageiros, a companhia acionou uma operação de transporte gratuito com ônibus.

A nota divulgou ainda que os grevistas não mantêm 90% dos trabalhadores necessários para assegurar a operação no horário de pico da manhã. Os trens operam normalmente, segundo a CPTM, nas linhas 7 - Rubi (Luz - Jundiaí), 8 - Diamante (Júlio Prestes - Itapevi), 9 - Esmeralda (Osasco - Grajaú) e 10 - Turquesa (Luz - Rio Grande da Serra).

Ônibus no ABC

Os passageiros de ônibus da região do Grande ABC também enfrentam problemas nesta quarta-feira. Uma greve de ônibus atinge sete cidades desde a zero hora. Com isso, não estão circulando com 100% da frota os coletivos municipais e intermunicipais em Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários da Região do Grande ABC, uma assembleia será realizada às 17h para decidir os rumos da greve. Segundo o sindicato, no momento, as cidades de Mauá e São Caetanos são as mais afetadas, onde não há ônibus circulando. Em outras regiões, como Santo André e São Bernardo do Campo, os ônibus operam com restrições.

A categoria rejeitou proposta de aumento salarial de 8% apresentada pelos empregadores na noite de terça-feira (31). Eles reivindicam 15% de reajuste, além de melhorias trabalhistas.

Metrô não para

O Sindicato dos Metroviários decidiu, em assembleia realizada na terça-feira, que não entraria em greve nesta quarta. O Metrô enviou nova proposta de reajuste salarial de 8%, a partir do dia 1° de maio de 2011, entre outros acordos. As propostas não foram aceitas, porém a categoria decidiu fazer uma nova reunião na quinta (2) e votar uma possível paralisação para sexta. O aumento proposto anteriormente era de 7,7%, porém, os sindicalistas pedem reajuste de 10,79%.

Câmara estuda formas de ampliar participação popular nos trabalhos legislativos

Certificação digital de projetos de iniciativa popular e interatividade permitida pela TV digital poderão incrementar essa participação.

Brizza Cavalcante
Paulo Henrique Araújo (Centro de informática da CD), prof. Wagner Meira (Universidade Federal de MG), dep. Paulo Pimenta, Sueli Navarro (secretária de Comunicação da CD), Fábio Luís Mendes (consultor legislativo)
A Comissão de Legislação Participativa debateu em seminário as diferentes formas de interação com o cidadão.

A Câmara dos Deputados estuda formas de ampliar os canais de participação popular nos trabalhos legislativos. Participantes do seminário Participação Popular no Parlamento do Século 21, realizado nesta terça-feira pela Comissão de Legislação Participativa, mostraram diferentes formas como a interação com o cidadão pode ser promovida. O seminário é parte das comemorações do aniversário de 10 anos da comissão.

Para o consultor legislativo Fábio Luís Mendes, a certificação digital pode ajudar a ampliar a participação popular nos trabalhos legislativos, facilitando, por exemplo, a apresentação de projetos de iniciativa popular. Segundo ele, está sendo discutida, na Câmara, a construção de um sistema para coletar e validar assinaturas digitais para a apresentação de projetos de autoria da população.

Mendes explicou que hoje a internet não permite que as pessoas sejam identificadas e que seja verificada a autenticidade dos dados. Segundo o consultor, com a certificação digital, uma pessoa que assinar um documento de apoio a um projeto de lei, por exemplo, não poderá posteriormente negar que o fez.

“Da mesma forma que as pessoas confiam em um CPF, podem acreditar, no meio digital, em um certificado digital”, disse. O consultor destacou que existem autoridades certificadoras que garantem a confiabilidade dos dados. No Brasil, a principal delas é vinculada à Presidência da República.

TV digital
A secretária de Comunicação da Câmara, Sueli Navarro, afirmou que a interatividade permitida pela TV digital poderá ampliar a participação do cidadão nos trabalhos legislativos. Ela anunciou que o sinal digital da TV Câmara em Brasília entrará no ar em junho.

“A grande novidade do modelo de TV digital adotado no Brasil é a interatividade, por meio do programa Ginga”, explicou. Segundo ela, a interatividade permite, por exemplo, a realização de enquetes sobre propostas discutidas na Casa.

De acordo com a secretária, outros ganhos possibilitados pelo modelo de TV digital adotado no Brasil são a multiprogramação (que permite a transmissão simultânea de até quatro programações) e a portabilidade (possibilidade de a TV ser assistida em dispositivos móveis).

O sinal digital da TV Câmara já está no ar em São Paulo. Hoje, em Brasília, a TV Câmara está disponível em sinal analógico UHF; pela TV a cabo (NET); pelo satélite (Sky, Telefônica e Embratel); e por meio de antenas parabólicas.

O objetivo da Secretaria de Comunicação é universalizar o sinal da TV Câmara, deixando-o acessível, pela TV aberta, a todos os cidadãos brasileiros, em todos os municípios. “O brasileiro tem o direito de ver a TV Câmara, sem pagar nada”, disse.

Concurso de aplicativos
No seminário, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que preside grupo de trabalho sobre os canais de participação da Câmara, anunciou que a Câmara vai promover concurso de aplicativos na web para a participação do cidadão nos trabalhos legislativos.

A ideia do concurso é que os próprios cidadãos possam contribuir com sugestões para o portal e-Democracia. Ainda não há data prevista para o lançamento do concurso.

Pimenta anunciou também que, no dia 15 de junho, será lançada a nova versão do portal e-Democracia e uma comunidade virtual de combate às drogas. O ato de lançamento está previsto para as 14h30, no Salão Verde, e terá a participação do presidente da Câmara, Marco Maia.

PMs do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro têm os piores salários iniciais do Brasil

Levantamento mostra as diferenças na remuneração de soldados nos 26 Estados e no Distrito Federal

Atualizado em 06/04/2010
Danilo Venticinque
Itamar Aguiar

DESAFIO

Alunos do curso de formação de soldados da Brigada Militar, no Rio Grande do Sul. Após a formatura, eles receberão o pior salário do país na categoria.

Basta que uma crise na segurança pública no país ganhe espaço no noticiário para que a remuneração dos policiais volte a virar tema de debate. Das conferências sobre segurança em Brasília às páginas de comentários de ÉPOCA, essa discussão ganha cada vez mais espaço. O consenso, na maioria das vezes, é que os policiais são mal-remunerados – o que afetaria diretamente a qualidade de seu trabalho.

Para discutir a relação entre o salário do policial e a segurança pública, ÉPOCA realizou um levantamento para verificar quanto ganha um policial militar no início da carreira. Os valores mostram que a realidade dos policiais varia muito de Estado para Estado. Para soldados em início de carreira, a diferença entre o salário mais alto (DF) e o salário mais baixo (RS) é de mais de R$ 2.700. O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro pagam os piores salários: R$ 1.138,17 e R$ 1.277,67, respectivamente. A média nacional é R$ 1.814,96. (Leia mais no quadro abaixo)

Nos dois Estados, representantes do governo reconheceram o problema, mas atribuíram os baixos salários à política de governos anteriores. “Durante muitos anos o Rio Grande do Sul deu reajustes maiores a servidores que já eram bem remunerados, em detrimento de categorias como a segurança e o magistério, que correspondem a 90% do funcionalismo”, afirma Mateus Bandeira, secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul. Para o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, “há uma defasagem evidente e agora é preciso que o Estado recupere aquilo que não foi dado nos governos passados”.

As informações foram fornecidas pelo Comando Geral da Polícia Militar ou pelas secretarias de Administração e Segurança Pública de cada Estado. Os valores correspondem ao salário bruto de um soldado após concluir o curso de formação, incluindo gratificações mensais para alimentação e fardamento. Horas extras e adicionais para trabalho noturno não foram levados em conta.

Os números não correspondem, necessariamente, ao valor exato recebido pelos policiais ao fim do mês. No Rio Grande do Sul, por exemplo, são poucos os soldados que não fazem até 40 horas extras para aumentar a remuneração. No Rio de Janeiro, o alto valor dos descontos faz o salário líquido recebido pelos soldados ficar na casa dos R$ 900. “Não conheço nenhum soldado que ganhe mais de R$ 1.000 no Rio”, diz Vanderlei Ribeiro, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

No início do mês, uma pesquisa feita pelo Ministério da Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e divulgada em primeira mão por ÉPOCA revelou que os baixos salários são a principal preocupação de 92% dos policiais do Brasil. “O soldado não tem recursos para suprir as necessidades básicas da família e é forçado a fazer bicos. Muitos casais se separam”, diz Ribeiro. Além de afetar a vida pessoal dos policiais, o trabalho informal e as horas extras também teriam impacto direto sobre a segurança pública. “O excesso de trabalho é desgastante para qualquer pessoa e mais ainda para quem põe a vida em risco durante o período de trabalho. Isso se reflete em excesso de violência, ações não-planejadas e erros”, afirma Fabiano Monteiro, coordenador de um treinamento para policiais na ONG Viva Rio.

O combate às horas extras e à informalidade deu origem a iniciativas para tentar obrigar os Estados a aumentar a remuneração dos soldados. Entre elas está a Proposta de Emenda Constitucional 300/08, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados. Ela propõe equiparar os salários de todos os Estados ao valor pago aos soldados no Distrito Federal (R$ 3.869,56), criando um piso nacional para a categoria. Para o secretário-executivo do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Ronaldo Teixeira, o projeto é inviável. “Nenhum Estado hoje pode sair de um patamar de R$ 1.000 e passar para R$ 4.000. Seria uma repercussão muito pesada”, diz. Segundo Teixeira, é incorreto usar o Distrito Federal como parâmetro: por abrigar a capital do país, o DF recebe recursos da União para custear despesas com segurança, educação e saúde. Os Estados, por sua vez, dispõem apenas de sua própria arrecadação.

>SAIBA MAIS

“A iniciativa é bastante positiva, mas não podemos criar ilusões. A lei não tem o poder de criar recursos, e o orçamento dos Estados é rígido”, diz Bandeira, secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul. “Um reajuste desse porte implicaria um aumento de mais de R$ 700 milhões nas despesas do governo do Rio Grande do Sul”. Segundo ele, isso acabaria tendo de ser compensado por um aumento na carga tributária.

Entre os críticos da proposta, há também os que afirmam que o aumento salarial não provoca necessariamente uma melhora na segurança pública. “O piso nacional descaracteriza o federalismo e não é sinônimo de eficiência e de resultado. Existe um grande problema de segurança pública no Distrito Federal”, afirma a pesquisadora Paula Ballesteros, do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP). Apesar de seus policiais contarem com os melhores salários do Brasil, o DF viu sua taxa de homicídios crescer 9,8% entre 2007 e 2008. A alta foi quase dois pontos percentuais maior que registrada no Rio Grande do Sul, Estado com os salários mais baixos. Mesmo que a relação não seja direta, a pesquisadora acredita que é necessário remunerar melhor os policiais. “Existe uma pressão da sociedade civil para que o profissional da segurança pública seja mais bem remunerado”, diz Paula. “Um bom salário mostra que o Estado respeita aquela função.”

Em vez do estabelecimento de um piso, tanto o Pronasci quanto os governos estaduais defendem medidas de longo prazo para valorizar a profissão dos soldados. A iniciativa foi adotada no Sergipe, onde um acordo determinou um aumento salarial escalonado ao longo de mais de um ano. Atualmente, os soldados no Estado ganham R$ 1.625. O valor vai aumentar gradualmente até dezembro de 2010, quando chegará a R$ 3.218. No Rio Grande do Sul, os reajustes devem se estender por mais tempo. “Há uma lei que atrela os reajustes à poupança do governo e privilegia os salários menores, mas não é possível prever uma data para que eles cheguem à média nacional”, afirma Bandeira.

O Rio de Janeiro, por sua vez, deve apostar nas gratificações, que reforçam a remuneração dos policiais sem a necessidade (e os benefícios) de um reajuste salarial. A partir de 2010, todos os policiais plenos do Rio de Janeiro passarão a receber R$ 350 a mais. Além da gratificação oferecida pelos Estados, o Pronasci oferece uma bolsa de R$ 400 para soldados que ganham até R$ 1.700 e participam de cursos de especialização. No Rio de Janeiro, 22 mil policiais se beneficiam da medida. A expectativa do Pronasci é que, nos próximos cinco anos, os Estados passem a incorporar essa gratificação aos salários. “A melhoria precisa ser contínua e por um bom tempo até chegarmos a níveis satisfatórios”, diz Beltrame. Tanto o Rio de Janeiro quanto o Rio Grande do Sul reconhecem que é necessário remunerar melhor os soldados, com reajustes ou gratificações, mas não arriscam estabelecer um prazo.


Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI107281-15228,00.html#